A vida em campo

A vida em campo

Como ponto prévio gostaria de reforçar a ideia de que este artigo não é uma formação.
Apenas visa alertar o leitor para as situações descritas e dar-lhe algumas dicas que podem ser bastante úteis, não sendo possível abordar todas as questões nem todas as variáveis numa situação deste género.
Procure formação específica na área da sobrevivência e do bushcraft, para adquirir as competências necessárias e saber como lidar com com um cenário deste género.
Na primeira parte deste artigo explicamos como se preparar para uma catástrofe. Demos-lhe indicações do que fazer, para onde ir, como ir, etc, na eventualidade de um dia vir a ser necessário. Se ainda não leu, comece por ler a primeira parte deste artigo na Revista Outdoor Nº 5.
Assim sendo vamos partir do princípio que realmente ocorreu uma catástrofe e você colocou em prática tudo o que aprendeu na 1ª parte. Ao chegar ao seu destino, depois de montar acampamento, você deve estar atento ao rádio AM/FM que levou, para se dar conta do ponto de situação. Sendo assim temos duas situações possíveis: A primeira é a normalização geral da situação que lhe permite voltar a casa dentro das 72 horas para as quais tem alimento, água, e tudo o resto que preparou. A segunda é se os tumultos, a falta de condições sanitárias, de alimentos e de água ou até de local para ficar ainda subsistem. É sobre esta hipótese que nos vamos focar neste artigo.
Em primeiro lugar tem de dominar o choque psicológico da situação: Não está perdido, mas está sem alimentos e água potável e não se pode deslocar aos locais a que está habituado a obtê-los. Nesta situação tem de pensar que já é um sobrevivente, porque se preparou e estará melhor do que muitas pessoas feridas, doentes e em pânico pelas cidades. Respire fundo, provavelmente estará um local bonito no meio da natureza, e prossiga fazendo um plano para aí continuar o tempo necessário. No entanto mesmo com o otimismo em alta, mantenha sempre os pés bem assentes na terra e nunca se esqueça: A Natureza não se vai adaptar a si, você é que terá de se adaptar a ela.
Se leu a primeira parte deste artigo, terá no sou Bug Out Bag (BOB) o necessário para ter um abrigo, bem como ferramentas para fazer fogo com alguma facilidade. Se choveu e está tudo molhado, pode ler o excelente artigo do Pedro Alves no Blog da Escola do Mato, que o ensina a fazer fogo nestas condições. Com as necessidades de abrigo e fogo resolvidas, passemos à próxima prioridade.

ÁGUA
Em teoria e em média (depende de cada pessoa, clima e estação do ano) o ser humano pode estar sem ingerir água durante 3 dias. Idealmente estará numa zona com algum tipo de nascente, ribeiro, riacho, etc, e tem consigo pastilhas purificadoras.
Se não sabe onde está ou não consegue ver água à sua volta, saibam que existem árvores e plantas que indicam a sua existência (p.e. o Salgueiro Chorão). Nas áreas com abundância de água a vegetação tende a destacar-se, pois é mais verde e de aspeto mais vivo. Também a grande concentração de aves indica a presença de água nas redondezas e os trilhos dos animais na sua generalidade também se dirigem à mesma. Mas até as pastilhas purificadoras podem acabar e será necessário filtrar e de seguida ferver a água que obteve (mesmo usando as pastilhas purificadoras deve filtrá-la previamente).
Não vamos falar de filtros naturais mais complexos, mas deve usar pelo menos um lenço ou similar para decantar a água e seguidamente fervê-la. Se estiver a chover, com um pouco de imaginação terá este problema resolvido, pois só tem de recolher água da chuva. No entanto é bom filtrar e ferver esta água também. Existe o mito que a água da chuva é puro H2O e não é bem assim.
Por Luis Varela
Lê este artigo na íntegra na Revista Outdoor!

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