Como fotografar cascatas?

Como fotografar cascatas?

As melhores técnicas para fotografar cascatas!
Fotografar cascatas pode ter tanto de compensador como de frustrante.
Para que nada falha é importante que, mesmo antes de sair de casa, tenha em conta alguns aspectos.
Antes de mais, o primeiro aspecto fulcral é verificar as condições meteorológicas.
Se estiver no verão e não chover há bastante tempo, existe a probabilidade de chegar ao local e ter apenas um fio de água a correr.
Contudo, se tiver chovido recentemente, certamente verá a cascata no seu máximo potencial e, consequente, as imagens poderão ficar mais impressionantes.

Outro aspeto que não deverá descurar é a presença (ou ausência) de luz solar a incidir diretamente sobre a cascata. Assim, idealmente, deverá esperar até a mesma se encontrar à sombra, senão acabará com uma fotografia sobre-exposta nas altas luzes e sem qualquer tipo de detalhe na água, o qual nem em pós-produção conseguirá recuperar. Deste modo, procure fotografar ao nascer ou ao pôr do sol. No entanto, se estiver bastante nublado, poderá fotografar em qualquer altura do dia, já que os contrastes tendem a estar muito mais atenuados, resultado de as nuvens atuarem como um difusor natural da luz solar.
Ultrapassada a questão da melhor altura para fotografar, importa agora equipar-se para ir para o terreno. Um par de galochas é um bom aliado caso seja um fotógrafo aventureiro e goste de enquadramentos mais arrojados que o levem a entrar pelo rio dentro.
Tenha atenção à subida do nível das águas se começar a chover, pois, a certa altura, poderá ver-se “encurralado” no meio do rio, já para não falar das pedras escorregadias quando se encontram molhadas. Se estiver a fotografar ao final do dia e estiver num local de acesso complicado, é sempre bom levar uma lanterna consigo para iluminar o caminho de regresso.
Numa cascata, principalmente se for uma com um grande fluxo água, é possível que existam gotas a saltar constantemente. Por isso, não se esqueça de ter sempre à mão um bom pano de limpeza para poder ter a objectiva sempre imaculada, evitando o dissabor de ter imagens que julgava boas completamente arruinadas pelas pequenas gotículas de água. Já agora, evite trocar de objetivas perto da cascata. Faça-o num local seco e onde não haja pó, nem gotas de água, no ar. Outra ferramenta essencial, sem a qual nem vale a pena aventurar-se a fotografar cascatas, é o tripé. Ele permitirá fotografar com baixas velocidades de obturação (ou seja, com tempos de exposição mais longos) para conseguir aqueles efeitos de arrastamento da água com que a maioria dos fotógrafos sonham.
Também facilitará o uso do filtro polarizador, perfeito para reduzir os reflexos na superfície da água e da vegetação circundante, mas igualmente útil para aumentar a exposição em cerca de 1 a 2 stops (aumentando assim a probabilidade de obter um arrasto por movimento na água). Caso o seu tripé seja muito leve e esteja muito vento, pode sempre tentar pendurar um saco com pedras ou mesmo a sua mochila da fotografia no gancho da coluna central (ou à volta da cabeça do tripé) para o tornar mais estável. Um bom aliado do tripé é o cabo disparador, já que depois de ter a câmara montada no tripé não vai querer estragar tudo quando carregar no botão do obturador e tremer a câmara com a pressão dos dedos. Se não tiver cabo disparador, pode sempre activar o temporizador da sua câmara.
De um ponto de vista técnico, poderá usar o modo de exposição Prioridade à Abertura, definindo um valor de f/ elevado (isto, é uma abertura pequena). Desta forma, não só maximizará a profundidade de campo (obtendo assim nitidez do primeiro plano ao plano de fundo, não se esqueçendo de focar para o primeiro), mas também aumentará os tempos de exposição (quanto mais pequena a abertura, maior o tempo de exposição, o que, como já foi mencionado, contribui para o efeito de arrastamento da água). Também será importante definir uma sensibilidade ISO baixa (ISO 100, por exemplo), para obter a máxima qualidade de imagem e, novamente, aumentar os tempos de exposição. De resto, sobretudo se fotografar no formato JPEG e não em RAW, importa definir um equilíbrio de brancos apropriado ao tipo de luz ambiente, sendo que, tipicamente, as definiçoes Nublado e Sombra oferecem os melhores resultados, conferindo cores quentes e vivas, sem as inestéticas dominantes de azul.
Por fim, no que diz respeito à composição, importa experimentar todos os pontos de vista possíveis, variando a orientação da câmara (vertical ou horizontal), procurando elementos no primeiro plano que funcionem como ponto de interesse adicional ou utilizando linhas condutoras do olhar (o próprio curso da água ou algum tronco de árvore que esteja no local). Tenha também atencão a elementos que possam funcionar como uma distração desnecessária, como galhos a cruzar a composição ou a fazer tangentes com as extremidades do enquadramento.

Boas fotos!

Por Joel Santos
Encontra este artigo na Revista Outdoor!