Como fotografar o Outono?

Como fotografar o Outono?

Fotografa o outono no seu máximo esplendor!
Para quem pensava que o calor tinha vindo para ficar, eis que o outono nos veio finalmente bater à porta em todo o seu esplendor, repleto de cores vibrantes e de oportunidades fotográficas.
Assim, em vez de ficar sentado no sofá, colado à TV, está na hora de pegar nas botas e na câmara fotográfica, descobrindo porque é que o mau tempo é uma notícia tão para quem gosta de fotografar e de estar ao ar livre.
Para tirar partido desta estação do ano, existem algumas questões que deve ter em conta, entre elas a escolha das melhores alturas para fotografar. De facto, muitas pessoas fogem aos dias cinzentos e chuvosos, não chegando a tirar a câmara fotográfica da mochila, desconhecendo que são os dias perfeitos para criar uma ambiência e um dramatismo ideais para fotografar. Assim, leve consigo uma simples touca de banho transparente, perfeita para proteger a sua câmara se começar a chover, e descubra como as nuvens o ajudam a conseguir resultados fotográficos surpreendentes, funcionando como uma espécie de difusor natural da luz solar, reduzindo os contrastes fortes que de outra forma arruinariam as fotografias. Ainda assim, se o Sol conseguir espreitar moderadamente através das nuvens, não deixe de tirar partido dos jogos de luz e sombra que podem surgir.
Outra questão a ter em conta é a hora a que vai fotografar. Evite fotografar quando a luz está muito forte, pois as sombras tendem a ser demasiado profundas e as cores pouco saturadas, já para não mencionar a possibilidade de aparecerem inestéticos halos de luz. Todavia, se não tiver outra hipótese, existem sempre algumas soluções: procure fotografar a favor da luz, use um pára sol na objectiva e recorra a um refletor. Este último poderá ser útil para encher as sombras de forma natural (podendo inclusivamente ser usado em parceria com um flash externo devidamente orientado) e/ou proteger algum motivo do vento (folhas, por exemplo). Usar um filtro polarizador também irá ajudá-lo a retirar os brilhos das folhas e da vegetação em geral, principalmente depois de chover, saturando as cores de uma forma potencialmente interessante.
Por exclusão de partes, as melhores alturas para fotografar são ao nascer e ao pôr do sol, pois será nesses períodos de lusco-fusco que a luz se encontra mais matizada, minimizando a presença de contrastes fortes. Se optar pelo nascer do sol, poderá ter a sorte de haver neblina e de as folhas estarem repletas de gotas de orvalho, dois ingredientes mágicos para obter fotografias extraordinárias. Já se optar pelo pôr do sol, poderá tirar partido das cores quentes do final do dia, obtendo cores mais vibrantes. Seja qual for a sua opção, não se esqueça de um precioso aliado: o tripé. De facto, como a luz natural disponível será diminuta nesses períodos do dia, as velocidades de obturação serão inevitavelmente baixas e, logo, a probabilidade de obter fotos tremidas aumenta consideravelmente. Assim, até para que aumentar a sensibilidade ISO seja um último recurso, recorra a um tripé e registe fotografias com um máximo de qualidade de imagem, apenas possível quando a sensibilidade ISO é baixa. Adicionalmente, se tencionar fazer macrofotografia, o uso do tripé também se poderá revelar vital.
Quando estiver a preparar a sua mochila, procure levar uma panóplia de objectivas que sirva os mais diversos propósitos fotográficos: uma grande-angular para os grandes cenários, jogando com planos e perspectivas arrojadas; uma teleobjetiva para registar pormenores longínquos; e uma macro para captar pormenores nas folhas como um insecto ou as gotas de orvalho.
Relativamente à técnica fotográfica, recorra a diferentes aberturas do diafragma e a diferentes distâncias focais, explorando todas as oportunidades estéticas que o controlo da profundidade de campo lhe permitem. Assim, admitindo que está a fotografar no modo de exposição de Prioridade à Abertura ou Manual, se selecionar um valor de f/ baixo (abertura grande, por exemplo f/4) e definir uma distância focal longa na objectiva (acima dos 100 mm, como ponto de partida), conseguirá isolar um pormenor face ao plano de fundo (uma folha pendurada de um galho de uma árvore seria uma proposta possível). Já para fotografar uma paisagem, use um valor de f/ elevado (por exemplo, f/16), defina uma distância focal curta (entre os 17 e os 28mm) e foque para o primeiro plano (tipicamente entre um a cinco metros), conseguindo assim uma boa nitidez desde o primeiro plano até ao plano de fundo (uma serra distante, por exemplo).

Boas fotos!

Por Joel Santos

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