Devo ou não devo eliminar o glúten da minha alimentação?

Devo ou não devo eliminar o glúten da minha alimentação?

Até há bem pouco tempo atrás, a maior parte de nós não fazia a mínima ideia do que era isso do glúten.
A não ser que sejam portadores de uma doença celíaca, o mais provável é que – tal como eu – já comam enormes quantidades de glúten há anos e não saibam. No entanto, fiquem a saber que praticar uma alimentação sem glúten está a ficar na moda e está no radar de muitas pessoas, incluindo desportistas.

O glúten está no radar de muitas pessoas e, principalmente, nos atletas de resistência. O interesse sobre esta matéria aumenta quando vemos exemplos de atletas que aparentemente são capazes de grandes performances depois de se livrarem do glúten na sua alimentação. Mas nem todos eles são intolerantes ao glúten. Simplesmente adoptaram por uma alimentação sem glúten por causa da inflamação que ocorre quando este é metabolizado pelo corpo. Por essa razão, esta dieta também é conhecida como “a dieta anti-inflamatória”.

Treinar de forma adequada é um fator de stress positivo para os músculos (mesmo assim não se evitam inflamações), mas acrescentar desnecessariamente ao nosso regime outro elementos provocador de inflamações, logicamente que não fará bem nenhum ao nosso corpo. Quem corre, muito provavelmente já teve perturbações gastro-intestinais e uma alimentação livre de glúten pode bem ser a resposta para ambas as situações.

A principal razão pela qual se chama de “dieta anti-inflamatória” reside no simples facto que obriga a eliminar uma série de alimentos processados, incluindo bolachas e biscoitos, pão, massas, cereais e a maior parte dos alimentos fritos e transformados. Regra geral, quando se segue corretamente um plano alimentar sem glúten acaba por se substituir estes alimentos por frutas, vegetais, proteínas magras e outros alimentos saudáveis, como iogurtes, manteigas de amêndoa e de outros frutos secos, hummus, quinoa, etc. A linha de pensamento está focada em ingerirmos alimentos mais limpos, naturais e, assim sendo, diminuir os processos inflamatórios. As duas coisas que imediatamente se começam a notar são uma diminuição do inchaço abdominal e dos “problemas de casa-de-banho”. Também a desidratação se torna menos frequente.

Para a maior parte das pessoas isto pode parecer mais uma dor de cabeça do que um elemento de treino. No entanto, será que não valia a pena terem uma dor de cabeça temporária, se esta melhorasse o vosso estado físico e, consequentemente, a vossa performance?

Dicas rápidas para retirar o glúten da alimentação
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O glúten esconde-se em inúmeros ingredientes, como a maior parte dos molhos das saladas. Leiam cuidadosamente os ingredientes. O glúten até pode estar presente em champôos, cremes e medicamentos.

Restaurantes e preparação especial de alimentos
Já se vêem alguns restaurantes com ementas alternativas, adequadas a quem optou por dietas mais saudáveis. Se já é algo frequente ver restaurantes com opções vegetarianas, infelizmente ainda é raro ver opções sem glúten, mas exemplos como o restaurante Open brasserie mediterrânica, do hotel Inspira Santa Marta são realmente inspiradores.

Neste contexto, tenham também atenção também à “contaminação cruzada” (principalmente se cozinharem em casa), que acontece quando o mesmo espaço de preparação de alimentos, pratos, talheres e outros utensílios são partilhados com alimentação normal e sem glúten.

Abasteçam-se em casa
Quando forem de viagem tentem levar comida feita em casa (em casa, no hotel, apartamento, hostel, etc.). Principalmente noutros países já é possível encontrar facilmente pão, compotas, pacotes de aveia e outros alimentos sem glúten.

Não esquecer o cálcio e os carbohidratos
Se retirarem os alimentos lácteos do vosso regime, preparem-se para ter um défice de cálcio, entre outras vitaminas, como a vitamina D. Garantam que conseguem obter o cálcio de outra fonte, como o tofu ou até mesmo peixe enlatado (com espinhas). E não se esqueçam dos carbohidratos, presente em alimentos como o millet, aveia (sem glúten ou naturalmente com percentagens muito baixas), milho, amaranto, quinoa ou tão simplesmente o arroz.

Não há dúvida que adoptar uma alimentação sem glúten é saudável, mas requer um período de adaptação e há que saber tirar partido das tendências que se começam a ver hoje em dia e que – espero eu – aumentem significativamente. No caso de dúvidas já sabem que devem contactar sempre um nutricionista que vos possa acompanhar e ajudar a planear esta nova etapa.

Trata-se de transformar por dentro, para se notar por fora.

Fonte: Triathlete Europe
Por José Guimarães
Para mais informações www.desedentarioamaratonista.com